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HOMENS NA DANÇA CLÁSSICA

você sabia???

Vamos falar sobre homens na dança. Iremos, porém, começar a falar primeiro sobre o preconceito contra homens na dança clássica, e até mesmo contra homens que já dançam em outras modalidades, existe esse lado preconceituoso, por causa da leveza e a sensibilidade que o ballet nos proporciona.

 

E se julgarmos menos e nos aprofundarmos mais nas histórias?!

O ballet clássico foi criado pelos homens, surgiu nas cortes italianas por volta do século XV, criado por homens e praticado apenas por eles. As mulheres só apareceram na dança em 1681. Mesmo depois que as mulheres passaram a ser aceitas nas academias de ballet, os homens mantiveram o papel de destaque. Um dos motivos é que as bailarinas eram obrigadas a usar roupas longas e pesadas, que dificultavam o movimento. Estão vendo? Homens!!! Se dedicaram a criar algo tão maravilhoso. Vamos dizer que o ballet é a mãe de todas as danças, a primeira modalidade que te ajuda a crescer e ter consciência corporal, que vai te ajudar em outras danças.

 

O estudo é muito importante, precisamos nos aprofundar em tudo que falamos por aí. "Machões", doentes pela honra de ser homem, pela cultura machista que crescemos, acreditam que tudo que for de mais sensível,  é só para mulheres. Mulheres que também pela nossa sociedade machista carregam o fardo de ter que ser Mulher, dona de casa, usar rosa e fazer ballet clássico.

E para começar vou contar para vocês a minha história, de quando comecei a dançar ballet.

 

 

"PERMITO QUE A MINHA IMAGINAÇÃO ME LEVE AO SUCESSO!"

 

Frase dita por mim quando resolvi largar tudo e sair de casa para viver de artes na capital do Rio de janeiro. Recebi tantas “pedradas”, criticas e pragas, por eu estar largado minha profissão, que na época era a digitação, por sonhos que poderiam “não dar certo”. Vocês acham que eu liguei? Imagina! Vim parar no Rio com a cara e com a coragem, pedindo bolsas de estudos de dança e teatro em qualquer canto. Foi doloroso me despedir da minha mãe, que nunca me imaginou saindo do seu colo, mas ela sabia que eu ia ser um grande artista, coisa que desde pequeno eu dizia. Por medo do meu pai ela nunca pode demonstrar seu apoio por mim.

Eu sempre fui o mais alto de todos os meus primos e amigos, sempre sofri com muitas dores nas pernas e nos braços, por crescer demais, eu já estava ficando corcunda, com uma péssima postura, batia com a cabeça nos lugares menores, foi uma infância e adolescência sofrendo bullying na escola por causa do meu jeito. Com isso, tive depressão logo cedo, minha mãe sempre me consolava, só que isso não adiantava, pois eu sabia que amanhã, quando eu voltasse para escola ia acontecer tudo de novo e se eu fosse para outra escola, também ia ser a mesma coisa. Foi quando minha mãe me levou ao ortopedista e ele disse que eu precisava fazer ballet clássico e natação para ter uma boa postura, e que ia também me ajudar na autoestima. Nossa! Meu sorriso veio de orelha a orelha. Uhull! Vou fazer ballet! Quem disse?! Rs Minha mãe super protetora, já sabia que, se ela contasse para meu pai, ele não ia deixar e ainda ia brigar com ela e comigo também. A ideia seria eu jogar uma “pelada” junto com meus irmãos e primos para melhorar minha “fragilidade”, como eles diziam na época.

Guardei isso tudo, até completar 18 anos, quando procurei um grupo de teatro na escola, apresentei todos os meus textos para minhas professoras, construí um grupo de dança e teatro e daí começou minha aventura. Fiz testes escondidos para academias que davam bolsas para homens na minha cidade e em cidades vizinhas, mas por falta de grana nunca conseguia completar as segundas chamadas, pois ainda morava no mesmo teto que meus pais. Foi quando comecei a trabalhar numa secretaria de escola e conheci uma professora, a filha dela tinha acabado de montar um Studio de dança e me chamou para fazer uma aula experimental. Chorei muuuuuito de tanta emoção!!! Eu sabia que meu sonho não estava perdido, agradeço imensamente a Talita Peregrino, minha primeira professora de ballet e a sua família por terem me apoiado e me ajudado com o desenvolvimento na dança e no teatro. Como eles dizem: “QUEM DANÇA É MAIS FELIZ”.

 

Eu sou super, hiper, mega, ultra, power feliz por viver dançando e atuando!!!

Se vocês, assim como eu, já passaram ou passam por isso, nunca deixem de sonhar, ter pensamento positivo é a melhor arma para qualquer negatividade que queira te atingir.

                                                                          Seja otimista, busque! Voe!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Coletivo Pitoresco

 

 

Não é difícil começar a dançar depois de adulto, nós homens temos a musculatura bem mais dura do que a das meninas, por isso precisamos batalhar muito para conseguir uma boa flexibilidade, mas nada como ter autoconfiança e força de vontade que tudo se resolve.

 

Convivo com as dores musculares, batalho muito para ter uma boa postura nos movimentos, às vezes eu me frustro por não ter aquela perna alongada e tudo mais, mas meu amor pela dança vence qualquer desânimo e baixo astral. O ballet clássico requer muita desenvoltura e exige muito do nosso corpo e disposição. Tem que ter muita disciplina, os professores são bem mais rígidos e por isso muitos bailarinos se encantam por outro tipo de dança.

 

Eu amo o clássico, acho que a cada dia me supero mais. Sonho em um dia ser um grande partner, mesmo que demore, sei lá, uns 10 anos! Eu ainda vou me apresentar no Teatro Municipal do Rio de janeiro, dançando um pas de deux com alguma bailarina kkkk. 

 

Tenho, porém,  uma paixão pela arte contemporânea, acho que eu consigo me libertar mais, consigo passar tudo aquilo que está preso dentro de mim, coisas da minha infância, adolescência. Faço um casamento entre o clássico, o contemporâneo e o Hip hop, que me alegram de segunda a segunda sem me deixar cansado ou estressado.

 

Meninos aproveitem as oportunidades, corram atrás de bolsas, façam provas para as escolas profissionais, não tenham vergonha e medo, a vitória é certa para aqueles que sonham em viver uma vida mais alegre sem frustração.

Texto: Well Santos

Foto: Coletivo Pitoresco

04/02/2019

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